quinta-feira, 21 de novembro de 2013

La Bella Italia - Onde Comi

Parmeggiano
Prosciutto
Massas

A terra da boa comida. Sim, com tantos ingredientes de dar água na boca, como comer mal? É fácil, fast food é má comida em qualquer lugar do mundo. Haverá quem passe quase um mês comendo pizza a talho na Itália? Com o perdão do trocadilho, duvido muito. O ditado de que tudo que é demais enjoa vai bem em qualquer situação gastronômica. Por isso, eu faço constar do roteiro minhas pesquisas de restaurantes, não só os comentados em blogs de viagens mas também os de sites especializados, como o Guia Michelin e Frommer's, cujo livro virou o meu de cabeceira por meses. Afinal, gosto é gosto mas há um quê de ciência por trás.
Não descartei as opções mais rápidas. Às vezes só dá pra pedir uma fatia de pizza e seguir caminhando, ou aproveitar a visita à feira de Campo dei Fiori (foto das massas) para comer umas frutas. Mas não será o objeto desse artigo.
Chegando ao ponto, falarei dos restaurantes destaque em minha viagem. O restante está no próprio roteiro.
O complicado, na verdade, não é escolher um bom restaurante na faixa de preço que te atenda. O complicado é achá-lo mais ou menos onde você vai estar, e funcionando naquela hora. Sim, porque fica inviável se deslocar para almoçar e se deslocar de novo após o almoço para continuar seu roteiro. Por isso, perco horas e horas até ter duas ou três opções pra escolher. Posso garantir que compensa, mesmo que nem sempre eu vá em uma delas e prefira me sentar na primeira cadeira mais próxima. Me sinto mais segura assim. 

Roma



Uma portinhola difícil de abrir. Mal dá pra notar que tem gente lá dentro. Estávamos quase indo embora quando alguém a abriu por dentro. Valeu a pena voltar. Polpettine di “Nonna Lella” é algo indizível de bom. Pedimos como entrada, mas dá pra ser o prato principal com acompanhamento. O gnocchi de batatas também estava maravilhoso. O espaguete com ossobuco saborosíssimo. 

2) Alfredo - O lugar é bem agradável. Ficamos na varanda da frente. Há vários retratos de pessoas famosas. Um deles, pra minha surpresa, o de Dom Eugênio Sales. Poucos dias depois de meu retorno da Itália, contando esse fato a minha mãe, ela me informa que ele falecera havia poucos dias. Triste coincidência. Bem, mas ao que interessa: é muito simples e muito bom o fettuccini a la Alfredo. O garçom faz a mistura da massa com o molho na nossa frente. Muito interessante. Até filmei. Vale a pena. Apesar da manteiga e do queijo, não é enjoativo. Sabor na medida certa.


3) Al Palazzaccio - Perto do hotel em que me hospedei, próximo à estação de metrô Lepanto. Local despojado, descontraído. Nas paredes, celebridades que ali estiveram. Seu carro-chefe: as trufas, certo tipo de cogumelo. Pedi então um Filetto di manzo chianino con tartufo nero. Humm, uma delícia. 


Nápoles

1) Da Michele - La vera pizza napolitana. Para o costume brasileiro, é uma massa nada crocante, meio puxenta, fina. Mas não é que eu adorei. Só servem dois sabores: margherita e marinara. Pouquíssima cobertura sem deixar de ser saborosa. O lugar é bem simples, com azulejos verdes nas paredes, fotos de famosos, como a da Julia Roberts, de quando filmou Comer, Rezar e Amar. Há certos horários em que se forma fila pra entrar. Conheço quem detestou a pizza. Em Brasília, na Bacco, há uma versão bem parecida, o que dá ao restaurante o selo da Associazione Verace Pizza Napoletana. Quem quiser provar antes pra não perder a viagem em Nápoles, seria uma boa pedida.

Penso que você deve estar disposto a experimentar os sabores, vivenciar as culturas sem preconceito. Comer pizza brasileira, se come aqui. Então, eu não só me disponho a provar, como me trabalho pra apreciar. O diferente pode ser tão bom ou melhor que aquilo que você está acostumado. Eu tinha lido tanto sobre essa pizza, que já gostava mesmo antes de comer.

2) Zi Teresa - Fica no Borgo Marinari, logo na entrada, à esquerda e abaixo. À noite há um burburinho por ali, as luzes se refletem na água do mar e a vista é simplesmente o castelo Dell'Ovo. Pedimos um filé. Estava bom, mas nada de excepcional. Eu voltaria para experimentar outro prato. Quem sabe? 

3) Doceria Leopoldo - Ficava do lado do hotel que me hospedei. Certo dia ao voltarmos de um passeio nos deparamos com uma aglomeração. Parecia mosca no doce. Todos comendo algo que logo me apeteceu, me encheu os olhos. Era a Baba com panna, uma espécie de chantili, e morangos pequenos, o fragolini. Após escolher, a atendente ainda rega com uma calda fina de rum com açucar. É maravilhooooso. Ai  que saudade!!!




Capri

1) Da Paolino - Uma unanimidade, mas engolimos pança. Não registrei que só abriam à noite. Como fomos pra almoçar, só deu mesmo pra conhecer o ambiente, que é realmente acolhedor, em meio aos enormes limões, pendentes nos caramanchões. Fica para a próxima, que haverá com certeza.


2) Restaurante do Hotel Relais Maresca - La Terrazza. Simplesmente a melhor muçarela de búfala que já comi na vida. Divina, divina. A vista é maravilhosa e o atendimento foi ótimo. Funciona na cobertura do hotel, que, aliás, é um brinco. Impressionou-me muito. Pedimos uma salada caprese como entrada. A muçarela de búfala, como disse, era algo de outro mundo: suculenta, cremosa por dentro, envolta a uma pele mais resistente por fora. O tomate pouquíssimo ácido e muito doce. Somado ao azeite saborosíssimo, nossa!!! Foi de suspirar.

E suspiro até hoje quando me lembro. Depois pedimos um gnocchi de batata e um ravioli. Maravilhosos. A batata tinha um sabor bastante adocicado também. Esse restaurante foi um achado, porque não constava das minhas anotações. Compensou toda a tristeza por termos dado com a porta na cara no Da Paolino. Provamos também o sorvete de limoncello. Muito interessante mas forte. Como íamos andar muito ainda, me contive. Seria um vexame sair por lá cambaleando.






Amalfi

1) Marina Grande


Como escolhemos comer em Amalfi para depois subir à Ravello, optamos por ficar no Marina Grande porque tem uma praia privativa, com espreguiçadeiras, toalhas, ducha, banheiros e serviço de bar. Para almoçar, pode-se escolher comer ali mesmo, ou subir ao restaurante, que tem uma vista agradável. Pedimos vinho da casa, Risotto vialone nano igp ai molluschi e crostacei e Ravioli di pasta cotta. Achei que o risoto estava um pouco insosso e que colocando queijo, resolveria. Pedi ao garçom que imediatamente respondeu: já há queijo no preparo. Ou seja, fiquei a ver navios. Tudo bem. Deu pra comer sem arrancar suspiros. O ravioli estava bem mais apetitoso. O serviço de praia e a vista compensaram.


Florença

Fomos à noite. Não quisemos ficar fora, nos toldos. Ficamos perto do balcão. Ambiente aconchegante e que poderia ser um pouquinho mais iluminado, por isso as fotos saíram bem estranhas. Mas não vi o restante dos ambientes.  Pedimos a Bisteca Fiorentina, um dos pratos recomendados e característicos da região. Humm, estava divina. Suculenta e ao ponto. Ao servir, a garçonete já foi cortando as partes, indicando as qualidades de cada uma, mostrando-se conhecedora do riscado. Imperdível. A entrada foi um musse de tomate com verduras e mussarela de búfala. Uma versão moderna da salada caprese. Muito boa também. Apesar de terem estranhado eu pedir vinho branco para acompanhar a bisteca, não se negaram a trazer. Uma gentileza que nem sempre encontramos em qualquer restaurante por lá.

Nos atrasamos na subida guiada à Duomo, o que nos fez procurar almoço por ali por perto mesmo. Num bequinho, mais para dentro, estava o Sasso di Danti. Logo me impressionou o estilo muito antigo. Pensei que estaríamos numa fria. Sorte que não. O restaurante é bem referendado. O prato que pedimos era bem simples, espaguete à bolonhesa, mas estava muito saboroso. Até errando nós acertamos.

3) Rivoire
Com o Rivoire é engraçado. As indicações são todas pra não ir, devido ao preço. Como está ali, na piazza Signoria, de frente para o Palácio Vecchio e para a enorme réplica do Davi, é uma tentação não entrar. Ainda mais como o calor de meio dia. Não deu outra, entramos. Não para tomar o delicioso sorvete, mas para almoçar. No verão, armam um toldo na frente. Mesmo com ele, a temperatura incomodava. Então, fomos para dentro, no ambiente climatizado. Outra sorte foi achar lugar. Era gente entrando e saindo o tempo todo. Indisciplinados como nós que não obedeceram aos guias.

Não queria massa, estava um pouco enjoada com o calorzão. Qual não foi minha surpresa ter esse prato lindo e frio. Sim, friiiiio. Lembrou muito nosso arroz de forno, mas a qualidade do arroz o aproximava muito do risoto. Pra mim foi um achado. Comi tudinho, tudinho e suspirei, admirando o Davi. Nem foi tão caro assim. Pena que não voltei outro dia pra provar o gelato.


Lucca

1) Restaurante Giglio

Atendimento bom. Local bastante requintado e agradável. Primeiramente queria ter ido comer no Buca di Sant Antonio, indicado pelo Frommer's. Mas estavam de férias e no site indicavam Giglio. Foi um acerto, por estar numa localização mais acessível e pela qualidade da comida. A brusqueta estava bem apetitosa, bem ao estilo que estamos acostumados aqui. Em seguida pedimos um risoto que não consegui encontrar no cadápio do site. Talvez tivéssemos feito alguma alteração no preparo, não lembro ao certo. Por fim, indicação da casa, lascas de vitelo com batatas assadas. Uma delícia. Enquanto esperávamos os pratos, alguém, entre os clientes, se levanta e começa a cantar uma música clássica à capela. Surpreendente, não fosse ali a terra de Puccini. Ainda sim foi lindo e inusitado. Distraiu-nos da demora no serviço, que não tirou o brilho dos sabores.



Cinque Terre

1) Da Cecio


Não sabíamos onde almoçaríamos em Cinque Terre, pois estávamos fazendo um passeio guiado pela região. O lugar logo chamou-me a atenção não só pela paisagem, como pela cobertura do terraço onde comemos. Só na volta pude certificar-me de que era o restaurante Da Cecio, outro bastante pontuado no tripAdvisor. O menu servido talvez fosse específico para o nosso grupo, já que tínhamos um cronograma a seguir. Havia entrada, que se podia escolher entre salada e frutos do mar, e o prato principal. Tudo muito bem preparado, bonito e saboroso. Foi uma parada restauradora.


Veneza









Com uma vista dessas, nem os mais gulosos iam ligar muito pra comida. E olha que estou nesse grupo. hehe 
Simplesmente de tirar o fôlego. Revendo essas fotos, fico a pensar como pode alguém dizer que não gostou de Veneza. Como gosto não se discute, meus olhos são meus guias. E as fotos mostram o que vi de belo por lá.
Passemos ao cardápio. Carííííssimo. Muito, muito caro. Mas, estando lá, não tive coragem de não sentar e pedir algo. Me preparei pra pedir somente um suco. E olha que já seria um assalto. Surpreendi-me com uma massa dentro das possibilidades financeiras da viagem. Claro, na minha cabeça, eu pagaria pela paisagem e não pelo prato. Foi o que me motivou.




Bologna

1) Diana

No Diana descobrimos que o molho bolonhesa é branco e a lasanha é verde. Nosso queixo caiu sim, mas aceitamos sem discutir. Afinal, não dominamos a língua muito menos o know-how. Há uma foto no site, vi depois.
O lugar é bem agradável. Há uma varanda, onde ficamos, mais informal que o ambiente fechado. Chamam atenção as massas cruas e carnes à mostra.
Como todo restaurante italiano, já nos aguarda uns pãezinhos e manteiga. No Diana, tinha também uns palitinhos de massa crocantes, industrializados, que encantou minha amiga. O atendimento também foi primoroso.
Pedimos o tagliatelle à bolonhesa. Muito saboroso e bem sequinho para os nossos padrões. Como fujo à regra, prefiro assim a la italiana.
No final, fomos pedir ao garçom que tirasse uma foto. Surpresa: ele queria sair nela.

Milão





2) Farinella

Fomos primeiro a um restaurante que tinha programado. Mas estaria aberto somente às 19h. Teríamos de aguardar uma hora. O cansaço fez-nos optar por voltar ao hotel. Na esquina da estação Cairoli, nos deparamos com o Farinella, cheio de gente. Como o ambiente era agradável, nos acomodamos por ali mesmo, com a satisfação de estarmos a poucos passos do hotel. O atendimento foi bem demorado. Enquanto isso, vimos passar pizzas margheritas com uma meia muçarela de búfala enorme no centro. Deu muita vontade de experimentar, mas já havíamos feito nosso pedido.
E meu prato foi esse aí. Lindo, né? Estava muito bom. Essa massa tipo penne gigante chama-se Paccheri. Al dente e saboroso. O único defeito: ser pouco.

3) Biffi

No Biffi, não só comemos muito bem como fomos tratadas com toda atenção e mimos. O dono é brasileiro de Bento Gonçalves. A referência foi uma reportagem da Globo com ele. Desde então, só ficava a sonhar com a bisteca milanesa. E não decepcionou. Recebemos pro-seco de brinde e um molho pesto da casa, para trazer para o Brasil. No final ainda ganhamos tacinhas de Limoncello. Uau! Como esquecer. Fechou com chave de ouro nossa estada em Milão e na Itália. 

Vou fazer um plus, citando os sorvetes que mais se destacaram. O primeiro foi em Assis, da Gelateria Snack ou Incontro, na esquina com a McDonalds, próxima à estação de trem. O outro nota mil foi saboreado em Sam Gimignano, na Gelateria di Piazza, na Piazza di Cisterna. Sensacional. Inesquecível. Em Veneza tomei um muitíssimo bom, mas não me recordo o nome.

sábado, 1 de junho de 2013

La Bella Italia - Trens

Chegamos aos trens, esse transporte tão estranho a nós, brasileiros, no sentido de utilização. Talvez por isso não possa dizer que enjoei, mas era pra ter enjoado pelo tanto que usei. Pegamos vários, os mais velozes e modernos, os mais antigos e lentos. Como tudo que é novidade, aproveitei cada minuto, já que preferi viagens diurnas, mesmo "perdendo" metade da diária do hotel naquele dia. Não me arrependi em nenhum momento. Mas comecemos do começo.

  • Usando o site Trenitalia


Site da Trenitalia

Antes de viajar, você pode comprar antecipadamente os bilhetes que achar convenientes, no site da Trenitalia. Talvez pareça que não, mas às vezes os minutos gastos nas máquinas na própria estação te tiram a oportunidade de conhecer algo interessante. O site não permitia compra com cartão emitido no Brasil, mas desde o ano de 2012 já é possível utilizá-lo. Eu mesma não tive dificuldade alguma com isso. Recentemente fizeram mais uma atualização no site, possibilitando a troca para o idioma Inglês. Observe, porém, que há diferença de apresentação em italiano e em inglês. Eu preferi acessar em italiano, mesmo não dominando a língua. Há, por exemplo, um link bem acessível para o agendamento dos trens regionais no design italiano que não aparece facilmente no em inglês.

Se você não leu nada sobre o sistema de trens italianos, precisa saber que os mais rápidos são chamados de Frecce (flecha) e são 3: Bianca, Rossa e Argento. Eles ligam grandes distâncias e fazem poucas paradas. Os Intercity (IC) ligam cidades grandes e médias, são mais lentos que os Frecce. Os Regionales (regionais) ligam curtas distâncias entre pequenas cidades, são mais lentos, antigos e param mais.  Um regional mais incrementado é o Regionale Veloce. Nem sempre é possível comprar antecipado bilhetes para os trens regionais, que ficam liberados no site com apenas 7 dias de antecedência. O que não põe em risco sua viagem naquele trecho e horário pretendidos porque a procura é bem menor. No mais das vezes os regionais trafegam com muito poucos passageiros. Fique atento para o caso de ocorrer algum evento na cidade que pretende visitar. Isso sim pode atrapalhar seu roteiro.

Mapa do Vagão

O site exige um cadastro para realizar as compras. Para os Frecce e Intercity é possível marcar o vagão (carrozza) e o assento (posti). Em geral, os assentos finais são voltados para a mesma direção. Já os restantes, a cada quatro, ficam de frente uns para os outros, separados por uma mesinha (o bastão cinza da imagem). Na parte traseira do vagão há maleiro e ao longo do vagão, no alto, há bagageiro para volumes menores.
Código 3D

O bilhete deve ser impresso mas não precisa ser validado, ou seja, você não precisa passá-lo na leitora que fica plataforma da estação porque é considerado previamente validado. O fiscal do trem virá com uma máquina que fará a leitura do código 3D constante dele. Se não portar o bilhete, você terá de pagar uma multa não muito barata, que é o valor do bilhete e mais 50 euros.
Detalhe da página do bilhete impressa
Advertência sobre a não validação (2.2) e multa (6.)
Os preços variam de acordo com o trem, a classe, procura e a proximidade da viagem. Portanto, se quiser economizar, compre com antecedência. Diferentemente dos trens regionais, os Frecce têm alta procura e você pode ficar na mão se deixar pra última hora, ou ter de pagar mais do que seu vizinho de assento. Quanto à classe, é oferecida nos trens mais velozes 1ª e 2ª classes, que para comodidade não apresentam uma diferença significativa. Viajei sempre de 2ª classe e foi super confortável.
O site traz muitas informações e às vezes fica difícil retornar a elas, por isso pesquei o link para informações sobre o que as estações oferecem, como por exemplo guarda-volumes, que eles chamam de deposito bagagli. Essa informação está no link In Regione. Escolha a região onde se encontra a estação pretendida. Depois clique no link Servizi in Stazione, logo à esquerda do mapinha. Aparecerá uma tabela com todas as estações da região com os respectivos serviços.
Outro serviço interessante é o despacho de bagagens. Quase o utilizei, mas na última hora preferi deixar no guarda-volumes, porque teria de voltar obrigatoriamente àquela estação para seguir viagem. Não fosse isso, teria sido uma mão na roda. Mais informações aqui.

  • Comprando bilhetes nas estações de trem

Chamada de Biglietterie Self Service, as máquinas onde se compram os bilhetes é bem explicativa, não tive problemas. É como fazer uma operação de banco, tudo digital. Você pode escolher o dia e o horário da viagem, mas o bilhete vale por 60 dias a partir da impressão. Portanto, não há problema em usar o trem em outro dia e horário. Mas cuidado, esses bilhetes precisam de validação. Após validado, somente após validado, você terá 6 horas para embarcar. Se perder o horário, ainda tem essa margem de segurança. O que não é permitido em nenhuma hipótese é usar uma linha diversa daquela que você pagou, mesmo estando dentro do horário e sendo do mesmo valor. Se o fiscal aparecer e verificar esse desvio, haverá multa do mesmo jeito.
As máquinas aceitam pagamento com cartões de crédito, inclusive os pré-pagos, e em dinheiro em papel, retornando troco quando for o caso.
Bilhetes comprados nas máquinas das estações
Há bilheterias com atendentes na maioria das estações. Nas pequenas, não há máquinas para compra. A única complicação é se comunicar. Por isso optei pelas máquinas quando foi possível.
Outra forma de se comprar bilhetes é ir a um revendedor, que pode ser uma tabacaria, banca de jornais, supermercado, um bar ou até mesmo uma lan house. No site da Trenitalia essa informação está em Altri Revenditori, por região, como em Lazio, por exemplo.



  • Dicas sobre as bagagens
Considerando as medidas de malas:
Dimensões (cm):(Altura x Largura x Comprimento)
P - 50.00 x 34.00 x 21.00
M - 71.00 x 46.00 x 27.00
G - 79.00 x 47,5.00 x 33.50

Como marinheira de primeira viagem nos trens italianos, levei uma única mala média (60 x 49 x 30) e uma mochila para carregar a máquina fotográfica e o passaporte, crente que estava abafando em  minimalismo. Que nada! Olha que é uma mala considerada pequena pelas mulheres e mesmo assim deu muito trabalho nos trens Frecce. A questão maior é o peso. Não sou uma fracota, pelo contrário. Mas tenho hérnia de disco e pesos assim, quase 30 kg,  são mais que suficientes para desencadear uma crise.
Para acessar os vagões, há 2 lances de escada. Além da altura, a entrada é estreita. Não cabe duas pessoas segurando uma mala, cada uma de um lado, no mesmo degrau. Somado a isso, não se pode considerar os italianos os homens mais solícitos entre os europeus, por isso, esperar que se ofereçam para suspender suas malas é apostar na sorte e empatar a fila que se forma.
Estando no vagão, não encontrando vaga no maleiro que fica na saída, a opção é colocar no bagageiro da parte superior. Aí é outro sofrimento: como levantar esse peso todo acima da sua cabeça? haja força e equilíbrio. Tudo ajeitado, a hora da descida é um pouco tensa também, principalmente se a estação não for a final do trajeto, o que exige maior agilidade pelo pouco tempo de parada.
Então, minha dica é levar duas malas médias médias, que você dê conta de puxar/empurrar com facilidade e também levantar. Isso, claro, caso você vá passar muitos dias em viagem e realmente precise de toda essa bagagem.
Uma brasileira, no Vaticano, me dizia que só estava com uma mala pequena, tendo ficado quase 20 dias como eu. Perguntei como fazia pra se virar com tão poucas roupas. Disse que trazia mais blusas e todas davam pra ser lavadas no banheiro do hotel. As calças e bermudas ela procurava usar mais de uma vez.
Outra dica é gastar com uma mala boa, se já não tiver uma. Minha mala era de duas rodinhas, que ainda por cima funcionam emperrando numa determinada posição, deu mais trabalho que a da minha amiga, que era bem maior. Pode parecer que os percursos hotel-estação-hotel sejam curtos. Mas se somar todos os cansaços da viagem, verá que cada detalhe faz a diferença. Indico que leve a de 4 rodas, pois possui mais modos de carregar e você não se estressará tentando equilibrá-la em pé, quando estiver estufada. Quanto melhor for o rolamento dela, menos cansaço terá.